A era da modernidade
A história do primeiro arqueiro e do primeiro feiticeiro de Eudora começa em um momento crítico na evolução do continente. Ambos foram invocados simultaneamente por forças desconhecidas, surgindo com propósitos distintos, mas que convergiam em direção à reconstrução e ao equilíbrio de um mundo que ainda lutava contra as sombras do mal.
O Feiticeiro — A Revolução Mágica de Eudora
O primeiro feiticeiro, Aureon Ignis, foi invocado em Eudora em um tempo em que o continente já havia avançado em muitos aspectos. Comparado ao seu próprio mundo medieval de origem, Eudora era um local mais moderno e progressivo, ainda que mantivesse características arcaicas. No entanto, algo ainda faltava. O mal, apesar de ter sido combatido por gerações de heróis, permanecia uma presença constante, como uma força latente que ameaçava as fundações do reino.
Aureon, com seu intelecto afiado e sua profunda compreensão das artes arcanas, rapidamente percebeu que o problema não era apenas a ausência de poder, mas sim a falta de uma força definitiva que pudesse erradicar o mal de uma vez por todas. Apesar de reconhecer as conquistas dos heróis de Eudora, ele sentia que o continente precisava de algo mais — uma nova forma de magia que superasse os limites dos humanos e conectasse os heróis às criaturas mais poderosas que já existiram: os dragões.
Foi então que, em parceria com o alquimista Dottore, ele desenvolveu uma ideia ousada: fusionar a essência dos dragões mortos aos heróis. Eles estudaram as antigas Lágrimas de Dragões, cristais místicos formados após a morte dessas criaturas imponentes. Aureon teorizou que, ao combinar esses cristais com a energia vital dos heróis, poderiam criar uma nova geração de guerreiros, os Dragon Slayers, capazes de canalizar o poder e a fúria dos dragões em batalha. Esta invenção revolucionaria o combate e a magia em Eudora, mas essa história seria contada mais tarde.
No presente, Aureon se tornou uma figura de respeito, sendo consultado pelos líderes de Eudora e reverenciado como o mestre arcano que trouxe uma nova era de magia. Com seu conhecimento, ele ajudou a fundar academias mágicas e a refinar as práticas arcanas que moldariam o futuro do continente. No entanto, seu olhar permanecia atento, pois sabia que a ameaça do mal estava longe de ser completamente extinta.
O Arqueiro — O Equilíbrio Comercial de Eudora
Enquanto Aureon voltava seu olhar para as forças sobrenaturais, o primeiro arqueiro, Rhaegar Wainwood, via o mal em outro lugar — na própria sociedade. Influenciado pela lenda de Robin Hood, Rhaegar acreditava que a cobiça, a ganância e a corrupção eram os verdadeiros inimigos que mantinham Eudora à beira do colapso, especialmente em relação à economia e ao bem-estar do povo.
Rhaegar foi invocado com uma pontaria impecável, capaz de acertar alvos impossíveis com precisão absoluta. Ele não via sua habilidade apenas como uma arma, mas como uma ferramenta para restaurar o equilíbrio no reino. Ao chegar em Eudora, ele rapidamente percebeu que, embora o continente tivesse progredido em muitos aspectos, a ganância da elite governante e das famílias nobres era uma força corruptora que enfraquecia o povo. A riqueza era ostentada de maneira exagerada, enquanto as necessidades básicas da população eram frequentemente negligenciadas.
Em particular, os príncipes e princesas de Folgore eram conhecidos por seu ego inflado e sua indulgência em luxos desnecessários. Rhaegar via isso como um símbolo da negligência da família imperial, que parecia ignorar os problemas reais do reino enquanto esbanjava suas riquezas. Desdenhoso da corte, ele se tornou uma espécie de vigilante, usando suas habilidades para redistribuir a riqueza de maneira justa, ao estilo de Robin Hood, atacando caravanas cheias de ouro e recursos nobres e devolvendo-os ao povo.
Rhaegar também tinha um lado estratégico. Ele sabia que, para mudar verdadeiramente o reino, não bastava apenas roubar e redistribuir. Ele reeducou a economia de Eudora, incentivando trocas justas e o fortalecimento do comércio local, enquanto impedia os abusos de poder econômico dos nobres. Com o tempo, suas ações forçaram a família imperial a repensar suas atitudes, pois o arqueiro se tornava um herói popular aos olhos do povo, mas uma ameaça constante para aqueles que viviam no luxo desmedido.
A relação entre Rhaegar e a família imperial sempre foi tensa. Enquanto o povo o via como um herói, a realeza o considerava um inimigo que ousava desafiar sua autoridade. No entanto, o impacto positivo de suas ações na economia de Eudora era inegável. Ele fez com que o comércio florescesse de maneira mais justa, e sua popularidade cresceu entre mercadores, camponeses e até alguns membros da aristocracia que compreendiam a necessidade de mudança.
O Legado dos Primeiros
Ambos, Aureon e Rhaegar, eram heróis com visões distintas, mas com o mesmo objetivo: melhorar Eudora. Aureon, o feiticeiro, trouxe uma revolução mágica, criando uma base para que o mal pudesse ser finalmente erradicado através do poder arcano. Ele plantou as sementes da classe dos Dragon Slayers, algo que mudaria o curso das batalhas futuras, e se tornou um símbolo de sabedoria e inovação.
Rhaegar, por outro lado, atuou como o guardião da justiça social, usando suas flechas para reequilibrar uma sociedade corrompida pela ganância. Ele tornou-se o herói dos oprimidos e o arauto de um novo modelo econômico, no qual o bem-estar do povo era a prioridade, não o luxo dos nobres.
Juntos, eles personificaram dois lados da luta pela evolução de Eudora. Um combateu o mal em sua forma mais pura, através da magia e do combate arcano; o outro lutou contra as injustiças internas do reino, reestruturando uma sociedade que precisava de redenção. Esses dois heróis iniciais moldaram Eudora de maneiras profundas e duradouras, inspirando gerações de novos aventureiros e líderes que seguiriam seus passos.
O futuro de Eudora, graças ao feiticeiro e ao arqueiro, estava mais brilhante do que nunca, ainda que novos desafios aguardassem o continente.
